sexta-feira, 29 de abril de 2011


Praia de Tel Aviv

À medida que nos vamos aproximando de Tel Aviv começam a aparecer os primeiros odores de maresia, protector solar, óleo de coco e afins. A Terra Prometida é verdadeiramente uma terra santa e abençoada. Senão como se pode explicar que em finais de Novembro a capital Tel Aviv tenha o descaramento de registar a inqualificável temperatura de 29 graus, quando toda a Europa do norte já bate o dente de frio com os primeiros nevões e a Europa do sul desespera em acelerado estado de depressão com o tempo cinzento e as chuvas invernosas?


Caminhar ao longo da pedonal que corre paralela às praias é o melhor exercício de turismo que se pode fazer nesta cidade. Pelo meio tiramos uns minutos para um, mais do que merecido, mergulho, e acabamos o dia no antigo porto de Jaffa a ver o pôr-do-sol e a olhar o mar azul sem fim.


Até a minha inabalável fé agnóstica corre o risco de desabar diante de tamanha evidência … Graças a Deus.



domingo, 17 de abril de 2011

Israel 2010

Uma rua de Tel Aviv

Se Jerusalém é a cidade da religião Tel Aviv é a cidade da ideologia, se uma representa o berço do judaísmo a outra representa a locomotiva do capitalismo. Israel é mais do que um país, é um feliz casamento saído de um verdadeiro conto de fadas. A religião e o dinheiro juntos, em juras de amor eterno, prometendo amarem-se e respeitarem-se na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza ( mais riqueza que pobreza )até que a morte os separe.


O sucesso económico, politico e cultural dos judeus é ainda hoje um mistério para muitas pessoas ( ou talvez não ). Nada melhor, então, do que dar um mergulho nos números e nas estatisticas, por exemplo, deste pequeno excerto http://radioislam.org/islam/portugues/poder/compet.htm de um artigo de Kevin Mc Donald ,para clarificarmos as nossas mentes ou pelo contrário continuarmos perdidos na nossa santa ignorância.


O que é que os judeus têm que os tornam tão diferentes quando comparados com outros povos? Porque será? Será do Guaraná ?


sexta-feira, 8 de abril de 2011

Israel 2010



Para quem pensa que o interesse de jerusalém se resume exclusivamente à cidade velha está redondamente enganado. Há edifícios emblemáticos espalhados pelos quatro cantos, bairros de antes e depois da ocupação israelita e toda uma geometria urbana que sobe e desce colinas, atravessa parques, umas vezes caótica, como boa cidade mediterrânica que se preze, outras vezes exemplar de organização, ou não fossem eles judeus até ao tutano. Há toda uma cidade que vive e se agita, do primeiro ao último minuto do dia. Museus que ficam abertos até às tantas, parques onde famílias fazem piqueniques à meia-noite e uma agitação e uma vida nas ruas que dá inveja para quem, como eu, vem de um país onde as pessoas parecem não conseguir sair de um estado vegetal crónico. Em Israel há aquilo a que os espanhóis chamam “ a fúria de viver “. Vive-se cada hora do dia como se fosse a última mas é óbvio que também pensam no país como se vivessem para sempre. É o que dá ser Judeu na Terra Santa. E é no meio desta cidade que sofre de hipertensão crónica que vamos encontrar a emblemática rua Ben Yehuda, aquela à qual podemos chamar o coração da moderna Jerusalém. A rua Bem Yehuda é a clássica rua pedonal da cidade, com os clássicos cafés, as clássicas esplanadas, o clássico comércio, a clássica animação cultural de rua e, de vez em quando, também, com o chamado “clássico atentado terrorista”. Nada que pareça perturbar a clássica rotina da cidade.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Israel 2010


A Via Dolorosa, que vai da porta de Santo Estevão até à Igreja do Santo Sepulcro, foi, de acordo com a tradição cristã, o caminho percorrido por Jesus até ao local da crucificação, antes da sua morte. Do caminho constam 14 etapas, que destacam momentos importantes da caminhada, das quais 5 estão dentro da própria igreja. Hoje, grande parte desse percurso faz parte do quarteirão muçulmano.



Durante o dia cristãos ortodoxos e católicos em rituais de fé profunda, carregando grandes cruzes de madeira, misturam-se com o olhar indiferente dos comerciantes muçulmanos e de mulheres de cara tapada, tudo temperado com turistas em massa de todas as partes do mundo e elementos do exército israelita, num verdadeiro cozinhado étnico/ religioso/ político. A chamada "Caldeirada à Jerusalém".



domingo, 27 de março de 2011

Israel 2010

A poucos metros de distância da mesquita da Cúpula da Rocha, no Haram al-Sharif, está a mesquita de Al Aqsa, menos conhecida do que a primeira, mas nem por isso menos importante.

sábado, 19 de março de 2011

ISRAEL 2010

Monte do Templo (Har Habait, em hebraico ), ou Nobre Santuário ( Haram esh-Sharif , em árabe ) com a mesquita da Cúpula da Rocha.

Há duas formas de entrar no Haram esh-Sharif. De manhã o espaço está estritamente reservado aos fiéis islâmicos e a entrada é feita pelas portas do quarteirão muçulmano. Da parte da tarde o espaço é aberto às restantes pessoas, turistas, com entrada pela Porta de Monturo, no quarteirão judeu. O Haram esh-Sharif é um dos lugares mais emblemáticos e míticos não só de Israel como também da própria história do Ocidente e um verdadeiro quebra-cabeças para todos aqueles que tentam fazer um esforço para entenderem os meandros da natureza humana.

Terá sido ali que Deus testou a fidelidade de Abraão pedindo-lhe que matasse o seu próprio filho e que Maomé terá subido aos céus levado pelo arcanjo Gabriel. Os judeus fizeram do lugar um espaço de culto, construindo o templo de Jerusalém e anos mais tarde os muçulmanos transformaram o mesmo lugar num espaço de culto islâmico, construindo a Mesquita da Cúpula da Rocha, precisamente por cima da pedra sagrada, a mesma onde segundo a história se guardava a Arca da Santa Aliança, no antigo templo judeu do rei Salomão. Os judeus reivindicam para si a cidade, desde a sua fundação, como berço do judaísmo, os muçulmanos tornaram-na na terceira cidade santa do islão, depois de Meca e Medina.

A história dos povos podia ser menos complicada, penso eu, enquanto escuto o canto do muezim chamando os seus fieis para a oração. Podia, claro que sim, mas não era a mesma coisa.

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sexta-feira, 11 de março de 2011

ISRAEL 2010

Lugar de culto e um dos principais ex libris da cidade, o Muro das Lamentações é o que resta do antigo templo de Jerusalém ou templo de Herodes, destruído definitivamente no ano 70 da nossa era.

A imagem do “muro” assenta que nem uma luva no imaginário da história dos judeus. Simboliza toda uma ideia de resistência, de defesa e de independência de um povo e de uma cultura contra a adversidade e contra a perseguição. Já para os árabes o muro é sinónimo de prepotência, barreira e colonatos. São duas visões da mesma imagem diametralmente opostas que são usadas como arma de arremesso diariamente na cidade, no país e no mundo.

Depois há aqueles, como eu, para quem o muro não é uma coisa nem outra, é apenas uma parede de pedra com mais de dois mil anos de história à qual a curiosidade não consegue resistir … até um dia … tal como na história da curiosidade e do gato.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

ISRAEL 2010

A mesquita da Cúpula da Rocha e a mesquita de Al Aqsa na cidade velha, no local onde antigamente se situava o templo judaico de Jerusalém, vista do monte das Oliveiras. Uma imagem que é bem o exemplo do que foi e é a complexidade histórica, cultural e religiosa da cidade.


domingo, 20 de fevereiro de 2011

Silsilah minaret

Onde antigamente se situava o templo judaico de Jerusalém é agora local de culto islâmico.


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Israel 2010

Um desenho da praça do muro das lamentações em Jerusalém, no passado mês de Novembro, momentos antes de ser invadida pelos adeptos do Benfica, com o Barbas à cabeça, em busca de um milagre na liga dos campeões, no jogo contra o Hapoel de Tel Aviv … que segundo dizem acabou por não acontecer. É o que dizem.


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Israel 2010

Igreja do Santo sepulcro, à espera das suas doses diárias de turistas e de fieis, … a dieta perfeita para continuar a viver por muitos e bons anos.


segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Israel 2010

Uma manhã em Jerusalém a caminho do Calvário … literalmente.

Calvário ( em latim ) ou Gólgota ( em aramaico ) é o nome que designa a rocha/ colina, onde se supõe que Jesus tenha sido crucificado. Foi Helena, a mãe do imperador Constantino ( o mesmo que terminou oficialmente com a perseguição aos cristãos e o primeiro imperador a adoptar o cristianismo como religião oficial do império ), que numa viagem a Jerusalém, no século IV, identificou o local, assim como, também, o suposto tumulo, um pouco mais ao lado. Foi sobre essa rocha que se edificou o primeiro templo cristão que foi evoluindo ao longo dos anos até chegar à actual igreja do Santo Sepulcro.


quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Israel 2010

Judeus, cristãos e muçulmanos disputam diariamente, de costas voltadas, cada metro quadrado de fé da cidade, debaixo do olhar sempre atento dos homens das armas.

Para quem espera encontrar uma cidade imponente de monumentos, arquitectura e arte, condizente com a idade e a riqueza da sua história vai desiludir-se profundamente em Jerusalém. Jerusalém é uma cidade discreta nesse aspecto, por ser o resultado de uma soma de várias conquistas, saques, guerras e terramotos ao longo dos últimos 2000 anos. Jerusalém não tem arte, é sobretudo religião, essa energia misteriosa, força indestrutível, que vem não se sabe bem de onde, capaz de fazer transbordar o melhor e o pior da natureza humana.


segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Israel 2010

Jaffa gate, a porta eleita por mim para romper a muralha e partir à conquista da cidade velha, devidamente "armado" de caneta e papel.

O estado de Israel teve a sua fundação em 1948, mas foram precisos 19 anos para que o exército israelita tomasse conta de Jerusalém na sequência da chamada guerra dos seis dias. Esta guerra que teve como propósito uma resposta por parte de Israel ao plano concertado de invasão de vários países árabes, vizinhos, ao seu território ( há uma teoria contrária que defende que os árabes se preparavam para atacar alegando o conhecimento de um plano de invasão do exercito israelita )acabou por marcar de uma forma clara a superioridade do exército judeu e estabeleceu um poder judaico sobre toda a região que se manteve até aos nossos dias. A vitória de Israel foi avassaladora e devastadora para o exército árabe que viu morrer um número considerável de pessoas, assim como destruído grande parte do seu material de guerra. Desde então para cá Jerusalém passou a ser uma cidade sob administração israelita, mas mais do que isso Israel passou também a ter o controlo sob os territórios da Cijordânia e da faixa de Gaza, para onde foram relegados todos os palestinianos que perderam as suas casas no agora chamado estado de Israel. Ainda hoje, passados mais de quarenta anos, é possível ver as marcas das balas na pedra da muralha da Lion Gate, o local por onde a divisão dos pára-quedistas do exército israelita conseguiu entrar, furando o bloqueio dos sitiados palestinianos.


sábado, 15 de janeiro de 2011

Israel 2010

Tumba de Ben Hezir e túmulo de Zacarias no vale do Cedrão

Descendo o Monte das Oliveiras vamos encontrar o vale de Cedrão. Estes dois locais são sagrados, tanto para os judeus, como para cristãos e muçulmanos. Diz o antigo testamento que quem ali for sepultado ressuscitará no dia do juízo final ( espero não estar a dizer nenhum disparate ). É essa a razão pela qual estão cheios de sepulturas. Não deixa de ser curioso que o lugar mais nobre e o metro quadrado mais disputado de toda a cidade seja um privilégio dos ... mortos.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Israel 2010


Igreja de Todas as Nações e Jardim de Getsemâni em Jerusalém

Jerusalém é o sítio onde dizem que aconteceu ou que vai acontecer. Aquilo que é supostamente motivo de dúvida para o não crente acabou no entanto por assentar como verdade incontestada para muitos milhões de pessoas de todo o mundo ao longo da história. Jerusalém é a Meca do judaísmo e do cristianismo … se é que me é permitido dizer isto desta maneira. É no meio da força desta energia histórica/ religiosa/ profética, que me vou deixando, também eu, conduzir pelas ruas da cidade.

Um pouco acima da igreja da Assunção está a igreja de todas as nações e o jardim de Getsemâni, o local onde Jesus terá rezado pela última vez com os seus apóstolos antes de ser crucificado e onde Judas terá traído o seu pastor … DIZEM.


Israel 2010

Igreja da Assunção

O Monte das Oliveiras não é só um lugar sagrado para judeus, muçulmanos e cristãos, tem também a melhor vista sobre o centro histórico e é seguramente o melhor ponto para partir à descoberta da cidade. Ao fundo, bem no sopé do Monte, perto do vale de Cedrão está a igreja da Assunção, o local onde dizem ter sido enterrada Maria, mãe de Jesus.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

ISRAEL 2010

Mesquita da Cúpula da Rocha e Muro das Lamentações

Ano novo, cadernos novos. Esta vista da Cúpula da Rocha e do Muro das Lamentações dá o mote para o arranque de uma viagem por alguns lugares da Terra Santa. Viajar por Israel é tropeçar a cada esquina na densidade da história, na intensidade a que se desenrola diariamente a vida do país e finalmente na tensão da relação entre as pessoas. Como alguém um dia disse, o que fascina em lugares como este ( Israel ) é esta mistura absolutamente impressionante de raças, religiões e modos de vida diferentes, o que entristece logo a seguir é ver a incapacidade de todos eles conseguirem viver uns com os outros. Mas se esta verdade é complexa de gerir no dia-a-dia para quem ali vive, já para o viandante estrangeiro a única coisa que se pode pedir é que desfrute de toda aquela riqueza da natureza humana, com sentido critico e sensibilidade apurada, mas também sem preconceitos nem facciosismos primários. Israel é um país que impressiona logo à saída do avião. Como é que pessoas saídas directamente da câmara de horrores que foi a segunda guerra mundial conseguiram erguer um país ( e que país ) em tão pouco tempo, é a pergunta que fica. Depois, à medida que vamos mergulhando nas diferentes realidades, novos e contraditórios sentimentos nos voltam a assaltar … mas cada coisa a seu tempo.


sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Agosto de 2010 e as férias de Aníbal Arsénio Teixeira de Sousa

A ilha é o lugar de todas as mitologias e o centro de onde irradiam as mais fantásticas lendas. Ao visitar a ilha, naquela manhã de verão, o nosso herói estava longe de imaginar as consequências que aquela simples e inocente visita iria ter na sua futura vida. Aquele mergulho na ficção fechou-lhe as portas do regresso à realidade, arrastando consigo, por contágio, aquele que lhe estava mais próximo, o seu criador. Hoje, tanto um e outro, lutam desesperadamente ( ou talvez não ) para se desembaraçarem do mundo das inverdades ( como agora se diz por ai ). Num desses breves momentos de desembaraço, o autor aproveitou para lançar a ficção ao mundo do ciberespaço, usando para isso uma plataforma real ( dizem ), ou virtual ( dizem também outros ). E é assim,, desta forma épica que terminam, por agora, as aventuras de Aníbal Arsénio e restante família.

Finalmente apenas uma pequena nota. Esta inverdade foi cozinhada a partir de 13 desenhos feitos ao sabor do tempo, neste longínquo mês de Agosto e sem que na altura se vislumbrasse a mais pequena ideia de história. Os textos surgiram depois, numa tentativa de criar uma pequena história com princípio, meio e fim ( pelos visto sem sucesso ), invertendo aquela que é predominantemente a forma mais habitual de construir ficções. Digamos que foi uma espécie de vingança do desenho sobre o texto, por tantos e longos anos de submissão artística. Por fim ( agora é que vou mesmo terminar ), a história, bem longe de ser biográfica, está contudo, também longe de o não ser, tornando-se, portanto, muito difícil, por agora, saber em que ponto ficamos.

Brevemente irei, então, voltar ao formato normal deste blog com o mais recente caderno: ISRAEL


sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Agosto de 2010 e as férias de Aníbal Arsénio Teixeira de Sousa


Foram razões etílicas, e não etnográfico – musicais que estiveram na base da difícil decisão de Aníbal em se fazer ao mar naquela bela manhã de verão, a bordo da ninja insuflável made in China, na companhia da família, em direcção à lendária ilha do Medronheiro. A famosa canção imortalizada por Malhôa conta que havia um medronheiro na ilha plantado por um vizir de Odemira. Aníbal pôde constatar pessoalmente que não se trata, de facto, de um medronheiro nem coisa que se pareça, embora naquele espaço de tempo em que permaneceu na ilha não lhe fosse também possível avançar com outras hipóteses mais fidedignas. Mas voltemos ao medronheiro de onde se faz o belo do "medronho". Não sendo afinal um medronheiro e por consequência não havendo sequer uma sombra de "medronho" poderíamos concluir que a viagem do nosso herói tinha sido em vão. Enganam-se os que assim pensam. A viagem foi um sucesso. Aníbal pôde finalmente explorar ao milímetro todas as grandes virtudes da navegação de cabotagem a bordo do mais moderno e sofisticado ( se considerarmos a relação qualidade/ preço ) equipamento de navegação que é hoje possível encontrar numa loja perto de casa. A descrição das virtudes da navegação daria pano para mangas, mas é coisa que ficará para uma outra altura.

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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Agosto de 2010 e as férias de Aníbal Arsénio Teixeira de Sousa

André é um peixe, mas um peixe delinquente com propensão para a rebeldia e para abraçar causas ideológico/ politicas normalmente designadas por perdidas. Há anos que trava um combate feroz pela preservação do ecossistema lagunar, visando principalmente todos aqueles que de uma forma ou de outra são tentados a fazer descargas tóxicas e carcinogénicas com propensão para se tornarem potencialmente xenobióticas para os organismos ( se não é isto é qualquer coisa parecida com isto ). Aníbal não se encaixa neste perfil mas isso agora também não vem ao caso.

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Agosto de 2010 e as férias de Aníbal Arsénio Teixeira de Sousa


A Lagoa Santa esconde segredos de outros tempos e mistérios da actualidade. Aníbal Arsénio curioso como é não só não resistiu a uma visita ao local, como ainda mergulhou as carnes na água eutrofizada com excesso de nutrientes, maioritariamente, compostos químicos ricos em fósforo ou nitrogénio. A abundante e visível biomassa não pareceu intimidar substancialmente o nosso herói, preocupado que estava com a perspectiva da descoberta de pistas que o poderiam levar desvendar casos esquecidos da mitologia lagunar. Esse relaxamento acabou por lhe ser fatal, surpreendendo-o precisamente numa altura em que caminhava com a água pelos tornozelos pensando nos 15 minutos de fama que tais descobertas lhe poderiam facultar. André, o peixe da Lagoa Santa, voltou de novo a atacar provocando no nosso Aníbal gritos lancinantes de dor, que diz quem viu, se tornaram audíveis a muitos e muitos quilómetros de distância.

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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Agosto de 2010 e as férias de Aníbal Arsénio Teixeira de Sousa


Vasco da Fama ficou na história por ter sido o primeiro europeu a chegar às Índias orientais por rota marítima. Aníbal percebe a importância do feito e pensa que sem essa grande viagem nunca teria sido possível comprar agora insufláveis made in China, a preços de ocasião e que têm um papel muito importante na iniciação à arte de navegar de muitas crianças por esse país fora. Assim é legitimo que Aníbal faça repetidas vezes a pergunta: se o grande almirante tivesse na altura todas estas oportunidades que há hoje, principalmente no acesso a insufláveis como este, até onde poderia ter ele ido? Uma pergunta difícil de responder que no entanto vale a pena ser feita.

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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Agosto 2010 e as férias de Aníbal Arsénio Teixeira de Sousa


Na mesma cidade onde tocou Idalina na passada noite, também se passam coisas estranhas. Não é que o maior navegador da história nasceu precisamente aqui, há aproximadamente quinhentos anos. Aníbal não faz a mínima ideia dos contornos que rodeiam esta história, mas isso agora também não vem ao caso. Visitar a casa museu do grande almirante Vasco da Fama é sem dúvida uma boa oportunidade para ele sonhar também com mares nunca dantes navegados e quem sabe, ganhar inspiração para novos desafios marítimos, ainda mais ambiciosos … a bordo do seu inseparável insuflável “made in China”.

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terça-feira, 9 de novembro de 2010

Agosto 2010 e as férias de Aníbal Arsénio Teixeira de Sousa

Há muita gente que diz que Idalina veio ocupar o espaço deixado vago pela diva Maria dos Prazeres Anjos Malhôa. Nada mais errado. Idalina toca música do mundo. Malhôa era uma diva da pop. No entanto um mistério permanece no ar. Malhôa desapareceu sem que o mundo ficasse a saber o que pensava ela de Idalina. Já Idalina, sabe-se que tem opinião acerca da diva da pop, mas até agora ninguém a conseguiu ouvir. E assim vai o mundo.

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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Agosto 2010 e as férias de Aníbal Arsénio Teixeira de Sousa

Aníbal Arsénio não perde uma oportunidade para se deixar levar pelo pezinho de dança. Não há registo que alguma vez tenha perdido uma edição do maior festival de cantigas do mundo. É lá que o vamos encontrar mais uma vez a dar largas à sua arte de trocar os pés pelas mãos, precisamente no dia da actuação da grande, super, hiper Idalina, a musa da concertina.


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terça-feira, 26 de outubro de 2010

Agosto 2010 e as férias de Aníbal Arsénio Teixeira de Sousa

Para quem anda distraído neste mundo vale a pena recordar que Maria dos Prazeres Anjos Malhôa, foi uma mulher muito popular em anos que já lá vão. Estrela da Pop daquém e dalém mar, arrastou multidões durante um bom par de anos e fez as delicias da juventude masculina do tempo. Diziam que nas horas de lazer se dedicava a descobrir praias desertas e a tomar banhos da forma como tinha vindo ao mundo, nas águas cristalinas da costa sul de Portugal. Mas … um dia … desapareceu. Há quem diga que se cansou do mediatismo e se refugiou numa casa modesta, escondida nos confins do mundo, que vendeu todos os discos de ouro que tinha e se dedicou à agricultura ( a moderna agricultura biológica ) e a criar galinhas ( as chamadas galinhas do campo ). Há também quem diga que foi o mar que a levou, que se enamorou dela e não mais a libertou. Dizem que na noite de 12 para 13 de Agosto, se estiver lua cheia e a maré vazia ela aparece das profundezas do mar e caminha durante 3 minutos e meio sobre a água. Diz quem já viu que é coisa digna de se ver e que só por causa disso devia ser feita uma alteração ao PDN costeiro para se construir um santuário dedicado à Diva. Dizem que seria bom para o turismo e para a economia local, trazia empregos e aproveitava-se uma praia abandonada e deserta que da maneira como está também não serve para nada. Dizem.

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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Agosto 2010 e as férias de Aníbal Arsénio Teixeira de Sousa

Da bagagem do veraneante campista balnear não pode deixar de figurar o inseparável insuflável - made in China. É com ele que o nosso amigo Aníbal Arsénio se diverte, flutuando ao sabor das ondas, a descobrir as enseadas desertas debaixo dos quarenta graus de temperatura das duas horas da tarde. Este ano, conseguiu finalmente localizar, a mítica praia da Malhôa, que deve o seu nome à famosa lenda: a lenda da Malhôa.

( cont. )

domingo, 24 de outubro de 2010

Agosto 2010 e as férias de Aníbal Arsénio Teixeira de Sousa

Chegado ao camping da Xafurdeira o nosso Arsénio Anibal é rei e senhor. O Verão está aí para ser desfrutado. E é já com as fortes musculaturas à mostra que se entrega ao mais apreciado e estimado exercício de qualquer campista que se preze: tratar da bela sardinhada e da salada de pimentos assados.

( cont. )


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Agosto 2010 e as férias de Aníbal Arsénio Teixeira de Sousa


INÍCIO

É em momentos como este, em que o general Inverno parece ter chegado sem aviso prévio que mais apetece regressar ao nosso tão querido mês de Agosto para darmos conta das maravilhosas férias balneares de Aníbal Arsénio Teixeira de Sousa e restante família.
Vamos lá então recordar aquela que foi a caminhada, no pára/ arranca do trânsito, até às simpáticas e famosas praias vicentinas da costa alentejana, precisamente, no dia primeiro de Agosto, como qualquer bom português que se preze.
( continua )

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Agosto 2010


Trancoso - praça do pelourinho

Em 1492 mais de cem mil judeus atravessaram a fronteira portuguesa para fugirem à ordem de perseguição da inquisição espanhola. Mantiveram-se por cá alguns anos, até a coroa/ igreja portuguesa decidir fazer exactamente o mesmo. Os que não conseguiram, então, voltar a fugir tiveram que se converter ao catolicismo, à força, passando a ser designados por cristãos novos.

O sapateiro António Gonçalves Annes Bandarra terá sido, muito provavelmente, o mais conhecido dessa nova comunidade nascida em Trancoso. As suas profecias, em verso, de cariz messiânico, levaram-no a ser acusado pela inquisição portuguesa de judeu. Viria, no entanto, a ser ilibado, mas obrigado a nunca mais escrever textos de interpretação teológica.

Treze anos antes do nascimento do famoso poeta era ditada uma outra sentença a um outro santo ilustre filho da terra, que eu não resisto a transcrever:

SENTENÇA PROFERIDA EM 1487 NO PROCESSO CONTRA O PRIOR DE

TRANCOSO

(Autos arquivados na Torre do Tombo, armário 5º, maço 7)

"Padre Francisco da Costa, prior de Trancoso, de idade de sessenta e
dois anos, será degredado
de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas nos rabos
dos cavalos, esquartejado o seu corpo
e postos os quartos, cabeça e mãos em diferentes
distritos, pelo crime de que foi arguido e que ele
mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com
vinte e nove afilhadas e tendo elas noventa
e sete filhas e trinta e sete filhos;
- de cinco irmãs teve dezoito filhas;
- de nove comadres trinta e oito filhos e dezoito filhas;
- de sete amas teve vinte e nove filhos e cinco filhas;
- de duas escravas teve vinte e um filhos e sete filhas;
- dormiu com uma tia, chamada Ana da Cunha, de quem teve
três filhas, da própria mãe teve dois filhos.

Total: duzentos e noventa e nove, sendo duzentos e catorze
do sexo feminino e oitenta e cinco do sexo masculino, tendo concebido
em cinquenta e três mulheres".

"El-Rei D. João II lhe perdoou a morte e o mandou por em
liberdade aos dezassete dias do mês de Março
de 1487, com o fundamento de ajudar a povoar aquela região
da Beira Alta, tão despovoada ao tempo e
guardar no Real Arquivo da Torre do Tombo esta sentença,
devassa e mais papéis que formaram o
processo".

Tanto um como o outro figuram hoje na galeria dos notáveis da terra, por razões diametralmente opostas … claro está.

As voltas que o mundo dá.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Agosto 2010


Trancoso, um desenho " à minha maneira ".
Em Agosto, em Portugal, não há terra que não tenha a sua festa popular. Neste nosso tão querido mês de Agosto os emigrantes estão de volta para produzirem o tão esperado milagre da ressurreição a terras que durante os restantes onze meses do ano parecem vegetar num sono profundo.
Para esta noite as festas de São Bartolomeu, em Trancoso, puxaram os cordões à bolsa e têm como cabeça de cartaz aquela que dizem ser a maior banda de rock and roll nacional.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Agosto 2010


Marialva
Depois de sair de Foz Côa aponto na direcção de Marialva, a única aldeia histórica que ainda não conhecia, e é debaixo dos quarenta graus do meio-dia que lanço o derradeiro ataque ao castelo devidamente armado do caderno e dos pincéis.
O castelo cai nas minhas mãos às catorze horas em ponto, sem oferecer grande resistência.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Agosto 2010

Foz Côa - Igreja Matriz

Quinze anos depois foi finalmente inaugurado o museu de Foz Côa e eu que na altura achei que tudo aquilo não passava de um grande disparate tive agora que engolir um valente sapo ( que diga-se de passagem, de vez em quando até que não é mau para as dietas ). Na altura pensei que se estava a dar uma importância desproporcionada às ditas gravuras ( é o que faz ter opinião sem conhecimento de causa ), agora percebo que tudo aquilo faz sentido. A paisagem do rio Côa é absolutamente impressionante ( então à noite e com lua cheia ... ), o museu tem uma localização perfeita e quanto às gravuras são outro museu ( ao ar livre ), único no mundo. Mesmo para aqueles que não se deixam impressionar com meia dúzias de riscos numas pedras ( como eu pensava que era ), vão ter que concordar que aquele museu pode ser um factor privilegiadíssimo para o sempre tão falado desenvolvimento regional do interior. A região do Douro tem neste momento três patrimónios mundiais: a cidade do Porto, o Douro vinhateiro e Foz Côa ( para não falar de Salamanca, que também não está longe ), tem o parque natural do Douro internacional e de Montezinho assim como uma série de aldeias históricas por perto. Motivos é o que não falta para mostrar às pessoas da terra que com imaginação, trabalho e risco podem começar a acreditar que é possível criar riqueza na região, sem os turismos de massas típicos do Algarve em Agosto, nem as industrias poluentes que muitos desejam para combater o desemprego. Foz Côa é um diamante que só precisa de quem o saiba lapidar.
No dia em que visitei o museu disse à senhora da caixa que ia escrever no livro de recomendações que não concordava com o horário ( fecha duas horas para almoço e encerra, salvo erro às 17,30h) porque a maioria das pessoas vem de longe e arrisca-se a bater com o nariz na porta. A senhora entrou em pânico e disse-me para não fazer isso porque depois o estado ainda obriga os empregados a trabalharem até às 20 h. Eu disse que assim não faz sentido, um museu existe para servir quem o visita e não os empregados. Para uma região que não tem empregos estas pessoas deviam agradecer esta oportunidade e pensar que sem turistas pode no futuro também não haver museu. Se o museu fosse privado e fossem elas as empresárias pensariam de uma forma radicalmente oposta. Será que é assim tão difícil perceber isto ?

Ah ... e já agora uma informação: para quem quiser visitar as gravuras há duas formas: através do museu ( que tem que se marcar com dias ou semanas de antecedência ) ou através de cinco entidades privadas ( ligadas a turismos rurais ) onde na maioria das vezes se consegue marcação para o dia seguinte ou às vezes até para o próprio dia ... ( a iniciativa privada a dar o exemplo ).

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Agosto 2010


Solar dos Noronhas

A forma como as casas acabam diz muito sobre a vida e a natureza dos seus proprietários.
Na estrada nacional 226, já depois de abandonar Soutosa mas ainda com a cabeça mergulhada no imaginário aquiliniano, tenho mais uma real e crua constatação dos sinais do tempo. O solar dos Noronhas, do século XVII, jaz, velho e abandonado, à venda, como que implorando por um perdão do destino que lhe devolva um pouco da nobreza de outrora.

Agosto 2010


Soutosa - casa/ museu Aquilino Ribeiro
Seguramente um dos momentos da viagem.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Agosto 2010


Na igreja do convento,em Moimenta da Beira, que aparece neste desenho ao fundo, está uma placa que faz referência a um tal de Manuel Pires que terá sido enforcado por estes lugares ... e que ficou para a história por ter sido o último homem condenado e enforcado em Portugal em 1845. Poderia ter falado de outras coisas para me referir a Moimenta, mas esta não me saiu da cabeça...
E lá fui eu em direcção a Soutosa.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Agosto 2010

Aldeia beirã

À saída de Lamego havia duas hipóteses: ou seguia para norte em direcção a terras do Douro ou continuava pelas Beiras. Optei pela segunda, pela única e exclusiva razão de que tinha um encontro marcado na aldeia de Soutosa, mais propriamente com uma casa de Soutosa, a casa-museu Aquilino Ribeiro. Pelo caminho fui-me cruzando com uma série de simpáticas aldeias, entre as quais esta, da qual não me recordo o nome.


quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Agosto 2010

Lamego - Catedral

A primeira coisa que sentimos quando chegamos a Lamego é o peso da história. Aqui se realizaram as primeiras Cortes do país e se traçaram provavelmente as linhas mestras para aquilo que mais tarde veio a ser Portugal.
No dia em que subi ao castelo a minha curiosidade levou-me até uma casa com uma placa que registava o seguinte:
" Segundo a tradição, o suevo lamecense Idacio, foi bispo de Lamego em 435, e aqui era a Sé. A história diz que Sardinario, foi bispo de Lamego em 570 ". ( espero ter feito uma correcta transcrição )
... enfim, um momento que não quis deixar de partilhar com o ciberespaço.

Agosto 2010

Lamego

Uma das coisas que gosto quando viajo pelo país é ir descobrindo as pequenas/ grandes diferenças entre as várias regiões. Lamego é uma cidade da Beira Alta mas, para mim, muito pouco beirã. Aqui já sopram os ventos do Douro, já cheira a sucalcos, a Trincadeira,Touriga Nacional e a Condado Portucalense.
Com este desenho comecei a minha caminhada para o castelo.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Agosto 2010

Aldeia da Benfeita

Subindo e descendo, cantos e recantos da serra vamos dar à mata da Margaraça, um pequeno paraíso de castanheiros e carvalhos que sobreviveu ( vá lá saber-se como ) aos incêndios dos últimos largos anos. Ali naqueles escassos 50 hectares conseguimos finalmente ter uma ideia de como eram as encostas da serra do Açor em tempos que já lá vão. A sombra produzida pelas copas das árvores e a abundante água fresca que corre nas fontes, directamente da serra, fazem-nos esquecer por momentos os 40 graus que se fazem sentir fora deste pequeno retiro e pensar, também, na forma errada como sucessivamente se foi reflorestando o centro do país. Mais à frente temos uma paragem obrigatória para um banho nas cascatas da Fraga da Pena e depois, só depois de lavarmos completamente os recantos negros da nossa alma, continuamos, sem pressas, ao pôr-do-sol, em direcção à bonita aldeia da Benfeita.
A viagem continua ...

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Agosto 2010

Aldeia de Nogueira do Cravo, Beira Alta.

Dormir com quase trinta graus, de janela e porta aberta, acordar bem cedo ao som dos sinos da igreja, ir buscar água fresca à fonte, descobrir óptimas praias fluvias para mergulhar o corpo e ter todo o tempo do mundo para um desenhinho ao fim do dia ...

Agosto 2010


Nos últimos anos, para mim, o mês de Agosto tem sido sinónimo de viagens pelo país. Se quisermos destacar mais as coisas positivas do que as negativas ( que existem e vão continuar sempre a existir, aqui como em qualquer país do mundo ) rapidamente chegamos à conclusão que, por relativamente pouco dinheiro e alguma imaginação, podemos fazer grandes férias por cá. Este ano comecei com uma semana pelas praias de Porto Covo seguindo de mais duas semanas pelas Beiras interiores. Este caderno começa com um desenho do misterioso castelo da ilha do Pessegueiro que eu visitei na companhia do grande mestre do alto mar Joaquim Matias.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

VIAGENS IMAGINADAS 2010


Estes dois desenhos foram feitos em casa mas com a cabeça a viajar, sabe-se lá por onde.
Podem ser vistos na exposição "Cadernos de Viagem", na Biblioteca Municipal de Odivelas, até dia 12 de Agosto.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

sábado, 10 de julho de 2010

EXPOSIÇÃO

Entre os dias 9 de Julho e 12 de Agosto vou dar liberdade condicional a alguns cadernos e desenhos de viagens que fiz durante as duas últimas décadas. Libertei-os da gaveta, onde se encontravam, e podem ser vistos na Biblioteca Municipal de Odivelas.

BOLÍVIA 1993


Em Setembro de 1993 estava eu em San Borja, na Bolívia profunda, calmamente a desfutar de um final de tarde tropical quando fui surpreendido por um levantamento popular, uma euforia incontrolável que só terminaria na manhã do dia seguinte. A Selecção de Erwin Sanchez ( o Platini dos Andes, como era conhecido no seu país ) acabava de se apurar para o mundial de 94 nos E.U.A.. Este desenho, que pode ser visto na exposição de Odivelas, feito uns meses depois, já em Portugal, representa esse dia mágico e histórico da Bolívia.

Formato A3 - técnicas mistas s/ papel

quarta-feira, 30 de junho de 2010

MARROCOS 2010, CADERNO 2

Há qualquer coisa de mágico nesta região do norte de Marrocos que faz com que eu goste particularmente dela. De onde vem essa magia é coisa que poderá não ser fácil de explicar. Acredito que se deve a uma mistura de coisas, de conceitos e culturas que nos habituamos, ao longo do tempo, a ver e a viver em separado. Se por exemplo a geografia, o clima e a paisagem nos lembram o sul de Portugal, já a forma de viver nos remete para o Próximo Oriente. A cultura, com tudo o que a ela está ligado ( comida, arquitectura, vocabulário e até a própria música ), então, é uma mistura perfeita dos dois mundos. Deve ser nesse cozinhado, nessa confusão, nessa amálgama que reside a tal magia, o facto de determinadas coisas nos parecerem familiares e distantes ao mesmo tempo. Depois, e como se não bastasse tudo isso, existe a história. A história de quem sempre ali viveu, de quem foi obrigado a "regressar", fugindo da Península e a de quem chegou sob o impulso da conquista, para alargar as fronteiras. Os portugueses iniciaram a sua expansão dos descobrimentos em 1415, com a conquista de Ceuta, os muçulmanos encerraram a sua presença na Península com a fuga de Granada em 1492.De uns e de outros ficou a obra ( as casas, as cidades, os castelos ) e histórias. Histórias que desapareceram e outras que perduraram na memória e nos livros. Também elas, as histórias se misturaram e se adulteraram com o tempo, baralhando a verdade da história. Hoje, passados tantos anos, nem sempre é fácil saber o principio, o meio e o fim de todas elas, mas como diria um tal de Bruce Chatwin, uma história não tem de ser verdadeira só precisa de ser bem contada. Bem contada e bem escutada, acrescento eu. Acho que deve ser isso que me faz gostar tanto de viajar.

Este desenho mostra a vista do terraço do Mc Donald's, em Tanger ( a baía com a Europa ao longe ). O simbolo do imperialismo americano, em terras do Profeta, com vistas largas para o el Dorado.
À minha volta, bandos de jovens marroquinos, de ganga e óculos escuros, lambuzam-se com as iguarias do Ocidente enquanto ouvem músicas anglo-saxónicas em telemóveis de última geração.
Será tudo isto apenas coincidência?

MARROCOS 2010, CADERNO 2

Tanger, às portas da medina.

MARROCOS 2010, CADERNO 2

Tanger, café junto ao porto