
Estes dois desenhos foram feitos em casa mas com a cabeça a viajar, sabe-se lá por onde.
Podem ser vistos na exposição "Cadernos de Viagem", na Biblioteca Municipal de Odivelas, até dia 12 de Agosto.

Há qualquer coisa de mágico nesta região do norte de Marrocos que faz com que eu goste particularmente dela. De onde vem essa magia é coisa que poderá não ser fácil de explicar. Acredito que se deve a uma mistura de coisas, de conceitos e culturas que nos habituamos, ao longo do tempo, a ver e a viver em separado. Se por exemplo a geografia, o clima e a paisagem nos lembram o sul de Portugal, já a forma de viver nos remete para o Próximo Oriente. A cultura, com tudo o que a ela está ligado ( comida, arquitectura, vocabulário e até a própria música ), então, é uma mistura perfeita dos dois mundos. Deve ser nesse cozinhado, nessa confusão, nessa amálgama que reside a tal magia, o facto de determinadas coisas nos parecerem familiares e distantes ao mesmo tempo. Depois, e como se não bastasse tudo isso, existe a história. A história de quem sempre ali viveu, de quem foi obrigado a "regressar", fugindo da Península e a de quem chegou sob o impulso da conquista, para alargar as fronteiras. Os portugueses iniciaram a sua expansão dos descobrimentos em 1415, com a conquista de Ceuta, os muçulmanos encerraram a sua presença na Península com a fuga de Granada em 1492.De uns e de outros ficou a obra ( as casas, as cidades, os castelos ) e histórias. Histórias que desapareceram e outras que perduraram na memória e nos livros. Também elas, as histórias se misturaram e se adulteraram com o tempo, baralhando a verdade da história. Hoje, passados tantos anos, nem sempre é fácil saber o principio, o meio e o fim de todas elas, mas como diria um tal de Bruce Chatwin, uma história não tem de ser verdadeira só precisa de ser bem contada. Bem contada e bem escutada, acrescento eu. Acho que deve ser isso que me faz gostar tanto de viajar.
Dizem que Fernão Mendes Pinto terá nascido nesta terra. O mais famoso viandante de Portugal saiu daqui em tenra idade em direcção à capital do reino longe de imaginar as voltas que a sua vida iria dar e ainda mais longe de pensar que passados quase quinhentos anos alguém faria um " post" numa coisa chamada blog referindo-se à sua pessoa.
Gostei sempre muito do edifício do Hotel Astória, em Coimbra. Situado logo à saída da ponte, do lado esquerdo, continua ainda a ser um dos ex-libris da cidade. O seu aspecto meio parisiense faz-nos logo mergulhar numa Coimbra e num Portugal de outros tempos. Espero que continue assim por muitos e bons anos.
Uma passagem por Coimbra é sempre um mergulho na história do nosso Portugalinho. A igreja de Santa Cruz da qual eu gosto particularmente, então, é um banho completo de história. Desde os túmulos dos dois primeiros reis da nação, à fantástica escultura de João de Ruão e Nicolau de Chanterenne, aos fabulosos azulejos barrocos no interior, por tudo isso e muito mais, bem se pode dizer que merece, concerteza, uma visita cuidada e sem pressas ... desta vez até teve direito a desenho.
Com um fim de tarde primaveril, já no regresso para Lisboa, decidi fazer uma paragem nesta simpática cidade. A igreja de Nossa Senhora das Salas, mandada construir pelo grande Vasco da Gama, não escapou ao caderno. Foi uma espécie de aperitivo para um grande jantar na Adega de Sines. Duas visitas mais do que obrigatórias ....