quarta-feira, 28 de março de 2012

Istambul 2011


Cenas quotidianas da vida de uma cidade.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Istambul 2011

Palácio de Dolmabahçe


A história dos povos, assim como a história das pessoas é sempre feita de encontros e desencontros e as ideias feitas são quase sempre o maior inimigo da convivência e da aprendizagem. Deve ser essa a razão que nos leva a utilizarmos os raros momentos em que nos cruzamos com os outros, para reforçar uma ideia que já tínhamos e nunca para reaprendermos a ver. Nós tiramos sempre da história aquilo que nos convém, que é como quem diz, só vemos aquilo que nos interessa. A histórica relação entre o Ocidente e o Oriente é bem o exemplo. De um lado e do outro ficaram marcas desses encontros, mas nunca houve a tentação de perceber o outro lado. Perceber e concordar com o "outro lado" é sentido como um atestado de inferioridade passado a "este lado". Fatema Mernissi, uma das pensadoras mais destacadas do mundo islâmico dá-nos a medida exacta destes crónicos desencontros da história no seu brilhante livro “ O Harém e o Ocidente “. Estaremos nós assim tão seguros da nossa “liberdade” que não conseguimos ver mais nada para além das nossas “fronteiras”? Será o nosso sistema assim tão exemplar que não nos deixa espaço para aprendermos com os outros e vice-versa? Usando o livro “ Mil e Uma Noites “ Fatema  faz uma viagem ao encontro do “desencontro”. Com este trabalho Fatema Mernissi denuncia uma sucessão de equívocos e mal entendidos, tanto Ocidental como Oriental, que limita a nossa imaginação e a comunicação entre culturas tão diferentes. O que é que tudo isto tem a ver com o desenho do Palácio de Dolmabahçe, construído em 1842 no melhor estilo europeu da época, em pleno Califado do império turco/ otomano, é a pergunta que fica? 
Nada melhor, então, do que uma visita ao palácio para tentar encontrar uma resposta.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Alentejo e Diário Gráfico

O caderno de Istambul está a aproximar-se do fim, mas enquanto esse momento não chega faço aqui uma pequena interrupção no caderno para anunciar que os "Percursos de Roda Pé" estão de volta, para quem gosta de um dia bem passado no campo. 
http://adcmoura.pt/html/percursos_de_roda_pe.html
As inscrições já estão abertas.

No dia 14 de Abril vai haver um dedicado ao desenho e ao diário gráfico e eu vou lá estar.
http://adcmoura.pt/html/percurso_3.html

domingo, 11 de março de 2012

Istambul 2011



Um farol e um símbolo de Istambul e do Bósforo. Torre de Leandro ou torre da Donzela, ( Kiz Kulesi ), o farol de todas as lendas e de todos os mistérios a funcionar hoje como bar, restaurante e discoteca.

Istambul 2011


A marginal -  Kennedy Caddesi - com o seu farol. 



segunda-feira, 5 de março de 2012

Istambul 2011


Perto da Ponte de Galata, junto ao cais onde se encontram os barcos que cruzam o Bósforo, a tentar fugir da multidão que chega e parte num frenesim constante e da atmosfera gordurosa resultante da mistura do monóxido de carbono dos barcos com o cheiro do peixe frito da rua.

Istambul 2011


No bairro de Besiktas, o mesmo que dá nome ao famoso clube turco onde jogam uma mão cheia de jogadores ( e treinador ) portugueses, recorrentemente com ordenados em atraso, está a mesquita de Ortakóy, sobranceira ao Bósforo, que há mais de duzentos anos vê passar os navios do canal.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Istambul 2011


A pequena rua do eléctrico que sobe a colina do Corno Dourado em direcção à Haghia Sophia.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Istambul 2011


 O que resta da antiga Coluna de Constantino.

O tempo é implacável. Ninguém lhe resiste, ninguém lhe sobrevive. A Coluna de Constantino desafia-nos a fazer uma viagem, no tempo, pelos meandros da História. Aquela que foi a capital do grandioso império romano do oriente não é mais, hoje em dia, do que um amontoado disperso de pedras. Constantinópla desapareceu, sucumbiu da pior maneira ( como parecem sucumbir todos os impérios ); pela guerra, pela ambição, pela traição, pela cobiça e pelo cansaço. A história é sempre feita de ciclos, como as estações do ano. Às Primaveras de Praga e às Primaveras àrabes sucedem-se os Verões escaldantes da acção política e ideológica, que depois dão lugar aos Outonos do nosso descontentamento, até chegar o golpe fatal do general Inverno. Depois da terra queimada as flores voltam outra vez a nascer e com elas a esperança e a ilusão, sempre a ilusão de que o futuro será desta vez brilhante e promissor.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Istambul 2011


Universidade de Istambul - Praça Beyazit

Depois de deixar para trás a teia de ruas e ruelas do Grande Bazar chego finalmente ao topo da colina, o lugar onde se encontram as raízes mais profundas da velhinha Istambul ou, melhor dizendo, da antiga Constantinopla. No local onde antigamente ficava o forum romano encontra-se hoje a Universidade de Istambul, um lugar frequentado por mais de quatro mil alunos que chegam de todo o país para adquirirem e partilharem saberes. Jovens com roupas ocidentais misturam-se com jovens com roupas tradicionais do Islão num mosaico que mais do que mostrar as diferenças socio-econónimcas é bem mais revelador da visão filosófica, ideológica ou religiosa que cada um tem da própria vida. À primeira vista parece não haver nenhuma predominância de uma forma de vestir em relação a outra, isto é, há uma metade que parece afirmar-se como mais conservadora e outra metade como menos conservadora. Qual das duas metades sente mais o estigma social, numa sociedade/ cidade, também ela algo dividida? Será apenas aparente a tranquilidade que nos é transmitida ou pelo contrário existe um enorme panelão que fervilha lá bem nas profundezas do lugar, pronto a rebentar a qualquer momento?

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Istambul 2011


Grande Bazar

Calças, camisas, cuecas, peúgas, burkas, tudo para homem, senhora e criança, ao preço do "leve 5 pague 1". Túneis e mais túneis com lojas e mais lojas, cheias de tralha e mais tralha que daria para abastecer toda a população do país, mostram-se ao turista ocidental e ao local. Cartazes pendurados com o nome do clube de futebol da cidade, Fenerbahce, o campeão da Turquia, misturam-se com os cartazes do grande pai da nação Kemal Ataturk. Eis-me, finalmente,  dentro de um dos maiores cartazes turísticos da cidade … com uma enorme vontade de sair dali para fora.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Istambul 2011


A caminho do "Olho do Furacão" e a pensar como eu que eu me vou ver livre disto.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

istambul 2011


Casas e pessoas. Sempre um bom motivo e um óptimo pretexto para um desenho.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Istambul 2011



As catedrais do consumo são iguais em todo o lado. Com mais ou menos luzes, mais ou menos lojas, mais ou menos produtos para venda, serão sempre lugares sagrados para os militantes e aficcionados das compras. Este Grande Bazar de Istambul também não foge à regra. Dizem que é o maior espaço comercial coberto do mundo, com mais de quatro mil lojas, cerca de 58 ruas cobertas e aproximadamente 250 mil visitantes por dia. A verdade é que há já muito tempo que o Grande Bazar extravasou os seus próprios limites da construção original ( do século XV ) e se espraiou pela colina abaixo, praticamente até quase tocar na "velha" Mesquita Nova. É meio difícil dizer, hoje em dia, onde começa e acaba este pequeno monstro tentacular. Quando dei por mim já estava mergulhado na enorme corrente de massa humana. Nesses momentos só há uma coisa a fazer: deixar que nos levem por ali acima até conseguirmos de novo pôr a cabeça de fora para poder voltar respirar. 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Istambul 2011


Deixei para trás a ponte de Galáta e a Mesquita Nova ( ao fundo ) e já começo a sentir a presença próxima do Grande Bazar.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Istambul 2011


Do lado direito, a parte final da ponte de Gálata, que me transporta de novo até ao Corno de Ouro, bem perto da Mesquita Nova, em primeiro plano aqui no desenho. Por trás da mesquita iniciarei a minha subida em direcção ao conhecido Grande Bazar até chegar de novo ao topo da colina.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Istambul 2011


A ponte e a torre de Gálata.

Deixei o bairro de beyoglu e a sua emblemática torre para trás, atravessei a ponte de Gálata e regressei ao Corno Dourado para me perder no famoso Grande Bazar, o verdadeiro paraíso da quinquilharia e do produto " made in China ".

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Istambul 2011

Torre de Gálata

Entre a rua Istiklal e a ponte de Gálata há toda uma série de pequenas ruas e praças muito conhecidas pelos seus cafés e lojas alternativas para todos os gostos. Mas a grande atracção do bairro é mesmo a famosa torre, construída pelos genoveses, que durante muito anos fizeram daquela parte da cidade a sua zona residencial. Se quisermos perder um bom par de minutos nas filas de espera, que normalmente dão várias voltas à própria torre, para subirmos ao topo do edifício, temos garantidas grandes vistas do Bósforo e do casario, a perder de vista. É o que dizem. Eu não posso confirmar. Não subi.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Istambul 2011


Istambul não é só uma típica cidade de fronteira, com todas as suas misturas culturais, étnicas e religiosas, é também uma cidade de estranhos paradoxos. Aquele que salta mais à vista é o divórcio que parece existir com o mar, principalmente para uma cidade que nasceu e cresceu durante tantos anos de mãos dadas com o seu porto. Tirando as zonas marginais, que muitas vezes estão entupidas com o trânsito caótico horas a fio, não é fácil encontrar pontos ou miradouros que nos aproximem daquele que para mim é o verdadeiro coração da cidade: o Bósforo. O exemplo máximo disto que acabo de dizer é a própria rua Istiklal, que apesar de atravessar toda a aresta da colina de Beyoglu, que corre paralela ao estreito, não nos possibilita um único contacto com o ele ( ou então tem os miradouros tão escondidos que me passaram completamente ao lado ). Será?

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Istambul 2011


A rua Istiklal sai directamente da praça Taksim e atravessa todo o bairro de Beyoglu. Aquilo que no passado foi a zona residencial de excelência dos estrangeiros ( embaixadores, comerciantes ) é hoje a rua de referência do comércio, dos bares e discotecas, num permanente fervilhar de gente. Por entre os prédios devolutos, lojas de luxo, vendedores ambulantes, pessoas ricas e pobres, pessoas mais ou menos ocidentalizadas, podemos ainda encontrar o verdadeiro ex-libris do bairro: o seu tradicional eléctrico.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Istambul 2011

Ponte de Gálata, com a Mesquita Nova ao fundo.


A nossa identidade, a Europa, o mundo e ... Istambul.

A questão da identidade é o grande quebra-cabeças das nossas vidas. Quem somos, a quem pertencemos  e finalmente que importância isso tem para o caminho que queremos fazer, ou mais do que isso, de que forma essa identidade nos condiciona na escolha do nosso caminho. Ao longo da história o sucesso dos povos e dos países assentou sempre numa equação tão simples de colocar, como difícil de resolver e que é: o que é que nos une? E o que é que estamos dispostos a fazer em prol dessa união? Resolvendo esta equação, a partir daqui, somos indestrutíveis, mesmo se perdemos ( a vida ). Quando Churchill declarou a guerra à Alemanha, fê-lo em condições em que muito poucos acreditariam poder ter sucesso. No discurso que fez à nação prometeu a única coisa que poderia prometer e a última que todos nós desejaríamos ouvir: sangue, suor e lágrimas. Ninguém no mundo acreditou na loucura dos " Diabos Vermelhos" e a Inglaterra foi deixada sozinha e desarmada diante  do colosso alemão. O próprio Hitler se ria, dizendo que, quando os seus aviões bombardeassem a "ilha" as pessoas e a oposição iriam voltar-se contra o seu líder e o país cairia num segundo aos pés da Alemanha. Enganou-se. Aquilo que não nos mata torna-nos mais fortes, é assim o ditado e é assim também na vida real. Numa altura em que tudo parecia estar perdido Churchill conseguiu levantar toda uma nação, unindo-a. "Ou vivemos como queremos ou morremos". Tão simples e tão difícil. Vem isto a propósito dos queridos tempos que correm, da velhinha Europa, das nações, do mundo e de …  Istambul, imaginem. Istambul é a típica cidade que não é carne nem é peixe, tem um pé dentro e outro fora, dá uma no cravo e outra na ferradura e por aí fora. E eu tenho uma especial atracção por estes locais de fronteira, onde nunca se sabe muito bem onde uma coisa começa e acaba. Qual é a identidade de Istambul? A que família verdadeiramente pertence? O que é que faz  as pessoas que lá habitam, correrem todas na mesma direcção ( se é que correm)?


O que é que nos une hoje na Europa, ou mais do que isso, o que é que nos une hoje no mundo? (A pergunta tem mesmo que ser feita à escala global)
Eis a pergunta dos d€z milhões.







sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O Segredo da Pedra


Um pequeno intervalo no caderno de Istambul para dar conta do meu novo livro, acabado de sair da gráfica e a caminho das livrarias.

O Segredo da Pedra

"O Mestre Hildo e o Pedrito vão viajar até um lugar mágico onde apenas habitam animais.
Aí vão encontrar desenhos e misteriosos monumentos em pedra, muito, muito antigos.
Qual a origem e o significado de todos estas descobertas é a pergunta que os nossos dois amigos vão tentar responder no fim de um dia cheio de aventura. Será que vão conseguir?"

Espero que gostem.

http://www.minutosdeleitura.pt/

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Istambul 2011

A poucos metros de distância da Haghia Sophia está a Mesquita Azul.

Istambul 2011

Mesquita Azul. Interior.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Istambul 2011

 Fonte Ahmed III

O império Otomano, como qualquer bom império que se preze, que governou uma parte importante da bacia do mediterrâneo durante quase quinhentos anos, não deixou só obra para inglês ver, também tratou de deixar GRANDES obras públicas de … pequena dimensão. As inúmeras fontes construídas por toda a cidade, com o objectivo de facilitar às pessoas o acesso ao mais precioso dos bens, a água, são apenas um pequeno exemplo. Hoje restam apenas alguns exemplares. Esta fonte, ahmed III, bem ao lado da Haghia Sophia, sobrevive agora adaptada às novas funções de carácter mais … turístico, digamos assim. Portanto, mudam-se os tempos, mudam-se as funções, todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades. É mais ou menos assim não é?

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Istambul 2011



Haghia Sophia

A forma como olhamos para a história, como a valorizamos a um ponto quase obsessivo ou patológico diz muito do que foi o percurso das civilizações ao longo dos anos. Construir foi sempre uma forma de deixar marca para a posterioridade, uma espécie de pegada de dinossauro fossilizada que no futuro pudesse ser objecto de estudo e veneração, e entendida como exemplo máximo das virtudes humanas. Continuamos a não saber de onde vimos mas saber que passámos por “ali” dá-nos uma espécie de conforto e sentido para continuarmos a fazer hoje, o mesmo que fizemos no passado (mas sempre em maior escala se possível). Deve ser por isso que não há político que se preze, seja ele ministro, rei, imperador ou Alberto João Jardim que não tenha a tentação de deixar o seu chichi a marcar o território para que a posterioridade possa saber, agradecer e valorizar. Pensar em pequeno e construir em grande é a nossa marca genética, está no nosso adn ou dito de forma mais directa, está-nos no sangue. Parece não haver nada mais capaz de nos deslumbrar que os feitos dos chamados “conquistadores do inútil”. E a história está cheia destes feitos e nós estamos sempre na linha da frente para ficarmos com ar de Boi a olhar para o palácio.
Depois de subir calmamente a Alemdar cadessi, e continuarmos por uma pequena rua calcetada junto às muralhas do Topkapi Palace com casas tradicionais de madeiras, chegamos finalmente à Bab-I Humayun cadessi e à imponente, Haghia Sophia, edifício construído no século VI com uma impressionante abóbada de cerca de 30 metros de diâmetro e 55 metros de altura.

Chegou finalmente o momento de deixarmos as considerações de lado e observarmos … simplesmente.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Istambul 2011

Subindo a rua do tram ( Alemdar cadessi )a caminho da Haghia Sophia.
O Corno Dourado, ou Corno do Ouro é talvez o melhor lugar para iniciarmos a nossa caminhada por Istambul. É onde repousam as mais antigas memórias da cidade, memórias clássicas com raízes em Roma, na Grécia antiga e na gloriosa e renascentista Turquia imperial dos califas, mas também onde se descobrem becos, terraços e miradouros que nos aproximam daquele que é para mim o verdadeiro do coração da cidade: o Bósforo.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Istambul 2011

Ebussuut Cadessi ( nome da rua ), caminhando em direcção à Haghia Sophia.
Gosto de pensar que cada viagem tem sempre duas componentes, uma imaginária e outra real. A imaginária parte sempre com algum (no meu caso muito) tempo de avanço sobre a real e vai construindo imagens e sensações, sobre os lugares para onde nos dirigimos, a partir de informações já existentes na nossa cabeça. Quando realmente partimos já estamos condicionados na nossa avaliação pelas chamadas “ideias feitas”. O encontro destas duas “realidades” (a imaginaria e a real) nem sempre é pacífica, tenho que admitir. Foi ou pouco isso que eu senti durante a viagem, no passado mês de Junho, à cidade de Istambul, uma luta permanente entre o que esperava encontrar e aquilo que encontrei. É a esta cidade, que fica bem no cruzamento do tempo e da história, que dediquei inteiramente este novo caderno.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Solar dos Pascoaes


A poucos quilómetros de Amarante, na localidade de Gatão, existe uma casa. Dizem que foi habitada por génios, loucos e poetas, que durante gerações iluminou as trevas das serranias do Marão, que espantou os demónios e aproximou os anjos. Dizem. Este Verão também por lá andei. Já lá tinha estado antes de chegar e ainda lá fiquei depois de partir. Acho mesmo que ainda por lá vou ficar um bom par de anos, ou se calhar nunca mais de lá sairei. Há sítios assim, sítios que esperam uma vida inteira por nós e que depois de nos cruzarmos nada mais será como dantes.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Marrocos 2011


Uma rua perto da praça de Jamal el Fna em Marrakech.

Agosto é sempre um mês de poucos posts. Enquanto não arranca o novo caderno deixo aqui um desenho da minha viagem por Marrocos em Maio passado, que começou no papel e acabou no digital.

domingo, 31 de julho de 2011

Suíça 2010


A cidade Velha, Genebra.

A viagem a Israel incluiu uma escala em Genebra, na Suíça, que teria sido de um só dia não fosse eu ter perdido o avião para Tel Aviv. As causas do sucedido estão ainda longe de estarem completamente apuradas. Parece que o viandante ( isto é, eu ) se terá apresentado a tempo e horas, com check in devidamente feito no aeroporto da cidade. Terá sido a clássica distracção provocada pela presença em massa de um público feminino com atributos estéticos acima do normal a causa da tragédia? Uma pergunta difícil de responder e que provavelmente ficará sem resposta durante muitos e bons anos. A verdade é que acabei por ficar 3 simpáticos dias a gozar um inverno de céu azul e temperaturas de zero graus que me aguçou ainda mais o apetite para os trinta graus que me ofereceu a Terra Santa. Está escrito que todos os mortais deveriam pelo menos uma vez na vida perder um avião. Eu já tenho a minha conta. E à conta disso acrescentei também mais quatro desenhos à viagem.  

Suíça 2010


Teatro Municipal de Genebra.

Suíça 2010


O Quai de Mont-Blanc, a clássica marginal da cidade de Genebra.

Suiça 2010


O velhinho Lago Leman e a menina dos seus olhos, Genebra.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Israel 2010



O último desenho do caderno de Jerusalém ... e neste caso os últimos são mesmo os primeiros.


Brevemente um novo caderno com novos desenhos.

Israel 2010

Ponte desenhada por Santiago Calatrava, em Jerusalém.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Israel 2010

"Jerusalem International YMCA", um ícone arquitectónico da cidade, desenhado por William Frederick Lamb, um velho conhecido de outras paragens, mais propriamente de Nova Yorque, por ter sido um dos principais responsáveis pelo desenho do famoso Empire State Building.

O caderno está quase a chegar ao fim.





ISRAEL 2010

A igreja de Santa Maria do Monte Sião.
Mais um lugar de culto do universo judaico/ cristão.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Israel 2010


Hotel do Rei David, Jerusalém,Israel.


Até ao século XVIII o turismo caracterizou-se fundamentalmente por viagens individuais por conta e risco, de carácter religioso, comercial, de saúde, de estudo ou político. No século XIX, com o desenvolvimento dos transportes e o crescimento de famílias com dinheiro, aparece um novo tipo de viagem: o turismo cultural ou de lazer. O inglês Thomas Cook foi o primeiro a perceber este potencial e a desenvolver o conceito de viagem organizada. Para este novo turismo e os principais lugares históricos da bacia do Mediterrâneo foi apenas o início de uma grande amizade. Juntamente com os transportes começou igualmente a desenvolver-se toda uma indústria ligada à viagem: roupas, malas, acessórios, etc. A Louis Vuitton, é hoje em dia, talvez o melhor exemplo de uma marca que facilmente associamos a um determinado modo de viajar, um imaginário que a empresa tratou de preservar e até cultivar e que a literatura e o cinema tão bem souberam explorar. Mas a verdadeira referência dessas viagens continua ainda espalhada pelos locais históricos do chamado próximo, médio e extremo oriente, através dos clássicos hotéis de charme que sobreviveram ao tempo e a este verdadeiro vendaval que é o turismo fast food. Exemplos como o La Mamounia de Marrakech, para onde Churchil fugia para pintar em plena segunda guerra mundial, como o Old Cataract hotel, em Assuan, no Egipto, onde dizem que Agatha Christie terá escrito o “ Morte no Nilo “, como o Hotel Pera Palace em Istambul, ou o clássico Taj Mahal hotel, de BomBaim, entre outros, são apenas alguns lugares que de uma determinada maneira nos fazem viajar no tempo. Tudo isto, finalmente, para chegar a Jerusalém que também não podia não ter o seu clássico hotel de charme, neste caso o hotel do rei David, que tal como os outros, também visitei, embora nunca na condição de hóspede pelas razões que será fácil perceber.

Marrocos 2011

Hotel La Mamounia, em Marrakech, Marrocos.

Egipto 2008



Old Cataract hotel, em Assuan, Egipto.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Israel 2010

A praia de Ein Gedi. Ao longe as montanhas da Jordânia e por de trás das montanhas as mágicas ruínas da cidade de Petra.



O autocarro sai de Jerusalém. É aproximadamente uma hora o tempo que precisa de percorrer até aparecerem os primeiros sinais de água do mar, que é na verdade mais um lago do que um mar, ou, dito de outra maneira, um lago no tamanho mas um mar de histórias. O percurso, quase sempre a descer, deixa para trás as colinas rochosas da cidade Santa para entrar num vale deserto com muito poucos sinais de vida. Algumas árvores, pouquíssima vegetação e um mar dez vezes mais salgado que os oceanos. O mítico mar Morto mostra-se finalmente ao turista acidental, do alto dos seus 400 metros abaixo do nível médio das águas do mar. Estou rendido à evidência. As minhas expectativas foram todas superadas, o lugar é tudo aquilo que se diz e ainda mais alguma coisa. Mas vamos por partes. Primeiro comecemos por onde devemos começar. O autocarro deixa-me em Masada, paragem obrigatória antes de prosseguir a viagem para Eilat, no sul do país. A história de Masada conta-se em meia dúzia de linhas: foi aqui que o último foco de rebelião dos judeus contra o império romano na palestina resistiu, suportando um cerco que durou meses. Durante todo esse tempo os romanos não ficaram parados, construíram uma rampa para acederem ao planalto de cerca de 400 metros de altura e quando o ataque parecia inevitável os habitantes, recusando a rendição, optaram pelo suicídio colectivo. Hoje o local é referenciado pelos judeus como tudo aquilo que jamais deverá voltar a acontecer no país. É um símbolo da resistência e da história de Israel e por isso mesmo o local eleito todos os anos para os militares fazerem o seu juramento de bandeira. Histórias à parte, a realidade é que a geografia não fica nada a dever à história. As vistas são de cortar a respiração e o mar ao longe parece caber nas duas palmas das minhas mãos. Só aqui tomamos finalmente consciência da crua realidade, a de que o mar Morto recua todos os anos cerca de um metro, perde água que não volta a recuperar e cada ano que passa vai definhando mais e mais. O mar Morto está a morrer. Será isto possível? Desço à base, como uma refeição rápida e apanho um novo autocarro que me conduz à clássica praia de Ein Gedi, para passar as últimas horas do dia a boiar na água pastosa, enquanto o sol vai caindo no horizonte. Sou o último a sair do local e sou o único na paragem do autocarro junto à estrada nacional. A noite começa a ganhar forma e eu ainda tenho um caminho de volta para percorrer. Se nesta terra se cumprirem os horários ainda hoje estarei de regresso à cidade santa. Se …






Israel 2010

Praia de Ein Gedi

Israel 2010

O palnalto com a antiga povoação de Masada, lá bem em cima.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Israel 2010


Uma operação stop, a caminho do Mar Morto, sempre em alerta máximo aos movimentos do fiel inimigo.


Em Israel os soldados são parte integrante da paisagem ou como se costuma dizer, fazem parte da mobília da nação. Há-os por toda a parte, para todos os gostos e feitios. São normalmente jovens rapazes e raparigas, que em momentos de tranquilidade parecem não partir um prato, mas que em situações de tensão, numa pequena fracção de segundo, são capazes de perder todo o ar cândido e transformarem-se em verdadeiros “comandos” prontos para o campo de batalha. Alguém é capaz de imaginar raparigas, de metralhadora em punho, a contar piadas e a rir, a falar de namorados e de romances, de actores de cinema e ídolos do Rock, de programas de televisão, facebook e coisas afins, como se de jovens teenagers inconscientes se tratassem transformarem-se rapidamente em forças de tropa de elite, com caras de muito poucos amigos? Pois bem, eu também não era capaz … mas agora sou.



domingo, 29 de maio de 2011

Israel 2010




Uma rua de Jaffa, nas traseiras do pequeno porto, a convidar-me para uma incursão pelos lugares que não constam propriamente dos guias turísticos de referência nem das fotografias dos bilhetes postal.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Israel 2011


Porto de Jaffa


Se caminharmos ao longo das praias de Tel Aviv, na direcção sul, vamos dar ao pequeno porto de Jaffa, que já foi, em tempos, um dos maiores portos da zona oriental do Mediterrâneo. Povoado pelos Fenícios, utilizado pelos romanos, pelos cruzados, pelos turcos ( fala-se inclusive que Napoleão terá por lá passado ) foi também um dos grandes centros de acolhimento de judeus no período pós-guerra. Da população maioritariamente palestiniana da altura resta apenas hoje uma pequena percentagem que foi convidada ( eufemismo ) a viver nos arrabaldes do porto, cedendo o lugar aos judeus emigrantes que foram chegando em massa nos últimos 60 anos. Apesar das tensões da história recente é no entanto um lugar que facilmente nos agarra. Ruelas, becos, pátios, esplanadas, galerias de arte e o vai e vem continuo dos barcos deixam-nos com muito pouca vontade de sair dali.


... e se não o conseguirmos fazer durante o dia, ao pôr-do-sol, então, já será tarde de mais.



sexta-feira, 29 de abril de 2011


Praia de Tel Aviv

À medida que nos vamos aproximando de Tel Aviv começam a aparecer os primeiros odores de maresia, protector solar, óleo de coco e afins. A Terra Prometida é verdadeiramente uma terra santa e abençoada. Senão como se pode explicar que em finais de Novembro a capital Tel Aviv tenha o descaramento de registar a inqualificável temperatura de 29 graus, quando toda a Europa do norte já bate o dente de frio com os primeiros nevões e a Europa do sul desespera em acelerado estado de depressão com o tempo cinzento e as chuvas invernosas?


Caminhar ao longo da pedonal que corre paralela às praias é o melhor exercício de turismo que se pode fazer nesta cidade. Pelo meio tiramos uns minutos para um, mais do que merecido, mergulho, e acabamos o dia no antigo porto de Jaffa a ver o pôr-do-sol e a olhar o mar azul sem fim.


Até a minha inabalável fé agnóstica corre o risco de desabar diante de tamanha evidência … Graças a Deus.



domingo, 17 de abril de 2011

Israel 2010

Uma rua de Tel Aviv

Se Jerusalém é a cidade da religião Tel Aviv é a cidade da ideologia, se uma representa o berço do judaísmo a outra representa a locomotiva do capitalismo. Israel é mais do que um país, é um feliz casamento saído de um verdadeiro conto de fadas. A religião e o dinheiro juntos, em juras de amor eterno, prometendo amarem-se e respeitarem-se na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza ( mais riqueza que pobreza )até que a morte os separe.


O sucesso económico, politico e cultural dos judeus é ainda hoje um mistério para muitas pessoas ( ou talvez não ). Nada melhor, então, do que dar um mergulho nos números e nas estatisticas, por exemplo, deste pequeno excerto http://radioislam.org/islam/portugues/poder/compet.htm de um artigo de Kevin Mc Donald ,para clarificarmos as nossas mentes ou pelo contrário continuarmos perdidos na nossa santa ignorância.


O que é que os judeus têm que os tornam tão diferentes quando comparados com outros povos? Porque será? Será do Guaraná ?


sexta-feira, 8 de abril de 2011

Israel 2010



Para quem pensa que o interesse de jerusalém se resume exclusivamente à cidade velha está redondamente enganado. Há edifícios emblemáticos espalhados pelos quatro cantos, bairros de antes e depois da ocupação israelita e toda uma geometria urbana que sobe e desce colinas, atravessa parques, umas vezes caótica, como boa cidade mediterrânica que se preze, outras vezes exemplar de organização, ou não fossem eles judeus até ao tutano. Há toda uma cidade que vive e se agita, do primeiro ao último minuto do dia. Museus que ficam abertos até às tantas, parques onde famílias fazem piqueniques à meia-noite e uma agitação e uma vida nas ruas que dá inveja para quem, como eu, vem de um país onde as pessoas parecem não conseguir sair de um estado vegetal crónico. Em Israel há aquilo a que os espanhóis chamam “ a fúria de viver “. Vive-se cada hora do dia como se fosse a última mas é óbvio que também pensam no país como se vivessem para sempre. É o que dá ser Judeu na Terra Santa. E é no meio desta cidade que sofre de hipertensão crónica que vamos encontrar a emblemática rua Ben Yehuda, aquela à qual podemos chamar o coração da moderna Jerusalém. A rua Bem Yehuda é a clássica rua pedonal da cidade, com os clássicos cafés, as clássicas esplanadas, o clássico comércio, a clássica animação cultural de rua e, de vez em quando, também, com o chamado “clássico atentado terrorista”. Nada que pareça perturbar a clássica rotina da cidade.

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Israel 2010


A Via Dolorosa, que vai da porta de Santo Estevão até à Igreja do Santo Sepulcro, foi, de acordo com a tradição cristã, o caminho percorrido por Jesus até ao local da crucificação, antes da sua morte. Do caminho constam 14 etapas, que destacam momentos importantes da caminhada, das quais 5 estão dentro da própria igreja. Hoje, grande parte desse percurso faz parte do quarteirão muçulmano.



Durante o dia cristãos ortodoxos e católicos em rituais de fé profunda, carregando grandes cruzes de madeira, misturam-se com o olhar indiferente dos comerciantes muçulmanos e de mulheres de cara tapada, tudo temperado com turistas em massa de todas as partes do mundo e elementos do exército israelita, num verdadeiro cozinhado étnico/ religioso/ político. A chamada "Caldeirada à Jerusalém".